7 de fev de 2013

EU NÃO ACEITO PERDER A ALMA DO MEU FILHO!


 

Meu nome é Medianeira, sou mãe de um ex-pastor que teve um livramento no dia 27 janeiro em Santa Maria na boate Kiss, a que pegou fogo. Assim como toda mãe chorei, mas, não desisti do meu filho.
Na trajetória da vida dele com 14 para 15 anos, ele falava em ser obreiro, era um filho amoroso e companheiro. Quando completou 16 anos, se afastou da presença de Deus e começou a andar com más companhias, se tornou um filho agressivo, principalmente com os irmãos. Eu como mãe não conhecia mais meu filho, começou a faltar o colégio, chegava de madrugada em casa. Em uma noite percebi meu filho que entrou no quarto, se aproximou da minha cama e me deu um beijo de boa noite, foi quando pude sentir o cheiro terrível da droga.
Quando ele saiu do quarto, dobrei meu joelho e clamei na presença de Deus, pedindo socorro! Naquele momento travei uma batalha pela alma do meu filho. Passado um tempo, quanto mais eu fazia votos mais o mal se levantava contra minha fé. Um certo dia, estávamos almoçando e fui falar de Jesus para ele... teve uma reação horrível! Jogou o prato longe, e disse: Não adianta Lutar, nem mesmo morto eu vou para a igreja. Naquele momento eu olhei dentro dos olhos dele e disse: Se o que está dentro de você é mais forte do que está dentro de mim eu sirvo a ele! Mas, pode ter certeza que você vai vivo para a presença de Deus!
Passados aqueles dias eu entrava na igreja e me derramava no altar de Deus, naquela semana ele saiu com os amigos, para um apartamento para usar drogas. Fui para o meu quarto e comecei a falar com Deus, não levou muito tempo, questão de uma hora, ele retornou para casa. Notei que ele chegou assustado, diferente.
Nesse dia ela iria usar o crack e no momento em que ele foi usar,  ele pensou em mim, de joelhos orando, então, ele se assustou e saiu rápido do apartamento. Os amigos chamavam por ele, e ele dizia: Eu tenho que ir embora! A partir desse momento ele começou a se voltar para Deus, e começou a buscar, se tornando um obreiro, pois, queria ajudar outras pessoas. Depois chegou a ser pastor por dois anos, mas, se afastou da presença de Deus.
Foi um momento de muita dor, o vi chorando, mas eu tinha que me manter firme em pé, sabia que o deserto ia ser grande. Ele começou a sair nas noites, até que no dia 26 de janeiro, meu filho falou que iria sair, antes de ir para o trabalho falei para ele: CUIDA DA TUA SALVAÇÃO!
Fui trabalhar, pois sou  Técnica de Enfermagem, e como sempre faço, preparei meus pacientes, deixei tudo pronto, quando por volta das 03:00 h da madrugada do dia 27 de janeiro,  uma ligação colocou o Hospital em alerta. A boate Kiss tinha pegado fogo! Havia muitas vítimas, convocaram alguns funcionários da UTI para ajudar no pronto socorro do hospital, e naquele momento de dor passou um filme na minha cabeça, até então, não tínhamos dimensão da tragédia. Desci as escadas correndo, já ouvia gritos de socorro, sirenes do resgate, e eu disse para Deus: Pai, eu não aceito perder a alma do meu filho!

Quando cheguei no pronto socorro, parecia cenas de filmes de terror,  ao mesmo tempo que ajudava, eu olhava na volta daqueles jovens que lotavam os corredores e procurava meu filho, ao mesmo tempo, falava com Deus: Pai, a alma dele NÃO! A dor era tremenda! Parecia que eu não iria suportar, mas, eu tinha que socorrer cada um como se fosse meu filho. Quando ligava para ele, dava na caixa de mensagem... cada resgate que chegava,  diziam: tem muitos corpos dentro da boate!
Nesse momento disse para Deus: EU NÃO TENHO COMO PROCURAR POR ELE, MAIS O SENHOR ENVIA OS TEUS ANJOS ONDE ELE TIVER, PORQUE EU NÃO ESTOU SUPORTANDO!
Chegavam as mães desesperadas atrás dos seus filhos, e eu não podia procurar pelo meu filho, porque tinham muitas vidas que estavam precisando de mim naquele momento. Ás 05:00 h meu telefone tocou, quando atendi ouvi a voz dele. Foi como se eu tivesse ouvido novamente o choro dele quando nasceu... eu disse para ele: FILHO ONDE PODERIA ESTAR TUA ALMA AGORA?
Nesta noite, ele esteve na boate, mas por conta de uma ligação de uns amigos ele saiu da boate, e foi para outra festa. A partir de tudo que aconteceu na vida do meu filho, eu vi os meus VOTOS com DEUS se cumprirem na minha vida, pois, DEUS deu um livramento para ele.
POR ISSO EU PEÇO PARA CADA MÃE QUE NÃO DESISTA DO SEU FILHO! LUTE! O ELO QUE UNE UMA MÃE AO FILHO É MUITO FORTE! COLOQUE TODA TUA FORÇA E PERSEVERE PORQUE DEUS É FIEL! O SEGREDO É O TEU VOTO COM DEUS A TUA PERSEVERENÇA!
“O choro pode durar uma noite, mas, a alegria vem pela manhã.”
“ Acaso, pode uma mulher esquecer se do filho que ainda mama de sorte que não se compadeça do seu filho do seu ventre? Mas ainda que está viesse a se esquecer dele, eu, todavia não me esquecerei de ti” Isaías 49:15 

Medianeira – Santa Maria - RS

2 comentários:

elizabeth pereira disse...

HOOO!!! GLORIA E ATRAVES DESSES TESTEMUNHO QUE TENHO FORÇAS PARA LUTAR PELO MEU FILHO E NAO VOU DESISTIR NUNCA POIS SEI QUE EM MOME DE JESUS EU VOU RECEBER A MINHA VITORIA.OBRIGADA

Mauro Wainstock disse...

SER HUMANO É...
Exemplo recente da insensatez humana, a "tragédia anunciada" em Santa Maria (RS) provoca revolta e lágrimas. O silêncio ensurdece, a sensibilidade grita, o lamento suspira. Vidas viram números, o anônimo se transforma em íntimo, a comoção unânime pulsa familiar. Na solitária amargura, a incomensurável dor é compartilhada. Nos previsíveis falatórios, o oportunismo de ocasião aproveita a consciente repercussão. O alerta de hoje repete o descaso de ontem, não garante um sensato amanhã e muito menos suaviza o eterno sofrimento.
Que ser é este que une diversão com explosão; que torna a harmonia uma agonia; o doce balançar em um constante soluçar; a agradável descontração em intensa investigação? Que ser é este que a todos emudece diante da inversão do ciclo da vida; que a todos cala ao banalizar o ciclo da morte?
Mas seres também se amam, se abraçam, se amparam, se envolvem, se solidarizam. Estes são os humanos! Vozes de lá e de cá voluntariamente acolhidas. O bom senso vira coro. E ecoa: tanto para consolar, como para exigir. Na individualidade, a responsabilidade; na mobilização coletiva, a tão necessária ofensiva.
O futuro queima. O luto aparece. Vidas sangram...
Mas o passado ensina. A esperança acredita. A vontade supera...
Que ser ambíguo é este? Sem vacilar, é urgente humanizar. Não apenas na ação depois do cinza fatal mas, sobretudo, na transformação moral, no dia a dia de um colorido real.

Mauro Wainstock/Jornalista