18 de out de 2011

O PRIVILÉGIO DE TER MÃE...


Eu tinha 7 anos... quando matei minha mãe pela primeira vez. Eu não a queria junto a mim quando chegasse à escola em meu 1º dia de aula. Eu me achava forte o suficiente para enfrentar os desafios que a nova vida iria me trazer. Poucas semanas depois descobri aliviado que ela ainda estava lá, pronta para me defender não somente daqueles garotos brutamontes que me ameaçavam, como das dificuldades intransponíveis da tabuada.

Quando fiz 14 anos... eu a matei novamente. Não a queria me impondo regras ou limites, nem que me impedisse de viver a plenitude dos vôos juvenis. Mas logo no primeiro porre eu felizmente a descobri rediviva – foi quando ela não só me curou da ressaca, como impediu que eu levasse uma vergonhosa surra de meu pai.

Aos 18 anos... achei que mataria minha mãe definitivamente, sem chances para ressurreição. Entrara na faculdade, iria morar em república, faria política estudantil, atividades em que a presença materna não cabia em nenhuma hipótese. Ledo engano: quando me descobri confuso sobre qual rumo seguir voltei à casa materna, único espaço possível de guarida e compreensão.

Aos 23 anos... me dei conta de que a morte materna era possível, apenas requeria lentidão… Foi quando me casei, finquei bandeira de independência e segui viagem. Mas bastou nascer a primeira filha para descobrir que o bicho “mãe” se transformara num espécime ainda mais vigoroso chamado “avó”. Para quem ainda não viveu a experiência, avó é mãe em dose dupla…

Apesar de tudo continuei acreditando na tese da morte lenta e demorada, e aos poucos fui me sentindo mais distante e autônomo, mesmo que a intervalos regulares ela reaparecesse em minha vida desempenhando papéis importantes e únicos, papéis que somente ela poderia protagonizar… Mas o final dessa história, ao contrário do que eu sempre imaginei, foi ela quem definiu: quando menos esperava, ela decidiu morrer. Assim, sem mais, nem menos, sem pedir licença ou permissão, sem data marcada ou ocasião para despedida. Ela simplesmente se foi, deixando a lição que mães são para sempre. Ao contrário do que sempre imaginei, são elas que decidem o quanto pode durar em vida, e o quanto fica relegado para o etéreo terreno da saudade…

A. D.

Para refletir sobre o privilégio de ter mãe, enviado pela querida Sula Miranda.

2 comentários:

Karin Ramos disse...

Minha mãe sempre me dizia que eu só saberia valorizá-la o dia que me tornasse mãe.
É verdade!!! Como é bom ter mãe! Hoje eu não tenho mais, o Senhor já a recolheu. Valorize sua mãe!!
Deus as abençoe!!

Andrea Paula disse...

Em várias situações em minha vida,me afastei de minha mãe.Não queria sua opinião e achava seus conselhos chatos. Ao enfrentar um problema de saúde e ficar hospitalizada,só a presença dela me confortava e suas orações salvaram minha vida e animaram minha fé.Graças a Deus me arrependi a tempo!Amo e admiro a grande mulher de Deus que é minha mãe Conceição.